A Penitência de Madalena em Luz Neogótica
Situado na nave lateral norte da Igreja de Saint-Germain-l'Auxerrois, em Paris, o vitral de Sainte Marie-Madeleine é uma obra notável do século XIX, da autoria de Charles-Laurent Maréchal, conhecido como Maréchal de Metz. A composição, dividida em três lancetas, apresenta no centro Maria Madalena em postura penitencial, abraçando uma cruz de madeira, conforme a iconografia tradicional. Anjos laterais, em lancetas adjacentes, sustentam filactérias com inscrições latinas, harmonizando a simetria visual sob um fundo azul intenso e arquitetura neogótica. Maréchal de Metz, pioneiro em técnicas modernas de pintura sobre vidro, privilegiou o realismo e a vivacidade cromática, evidenciando uma transição artística que combina a solenidade religiosa com a renovação estética urbana. A utilização de vidro colorido, grisalha e amarelo-de-prata, juntamente com a estrutura de chumbo, demonstra técnicas industriais e artesanais da época, destinadas a reforçar a catequese visual e a leitura simbólica do espaço sagrado, num contexto de revivalismo neogótico.
Located in the north side aisle of the Church of Saint-Germain-l'Auxerrois in Paris, the stained-glass window of Sainte Marie-Madeleine is a remarkable 19th-century work by Charles-Laurent Maréchal, known as Maréchal de Metz. The composition, divided into three lancets, features Mary Magdalene in a penitential posture, embracing a wooden cross, in accordance with traditional iconography. Lateral angels in adjacent lancets hold phylacteries with Latin inscriptions, harmonizing the visual symmetry against a deep blue background and neo-Gothic architecture. Maréchal de Metz, a pioneer in modern glass painting techniques, favored realism and chromatic vibrancy, highlighting an artistic transition that combines religious solemnity with urban aesthetic renewal. The use of colored glass, grisaille, and silver stain, along with the lead framework, demonstrates industrial and artisanal techniques of the time, intended to reinforce visual catechesis and the symbolic reading of the sacred space within a context of neo-Gothic revivalism.



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